🎧 Rap, Realidade e Maternidade: conheça Ella Lopes, a artista mineira que faz do Rio palco para sua história
“As pessoas não compram a sua música. Elas compram a história que você está contando.” – Ella Lopes
Pamela Lopes Rodrigues, mais conhecida como Ella Lopes, é mais do que uma artista de rap. Ela é mãe, militante, educadora popular e uma das vozes mais potentes da nova cena independente do hip hop carioca. Nascida em Nazaré, interior de Minas Gerais, e atualmente moradora de Madureira, Zona Norte do Rio, Ella transforma sua vivência — marcada por traumas, amor e resiliência — em letras afiadas que tocam o coração de quem escuta.
🎙️ Da infância silenciosa ao microfone da rima
Criada em um lar violento, Ella viu na música uma forma de escapar. “Aprendi a cantar porque não sabia falar”, ela diz, sintetizando como a arte foi refúgio e ferramenta de expressão desde cedo.
Aos 17 anos, conheceu o rap ainda dentro da igreja — ironia simbólica para quem seria depois rejeitada por causa da sua identidade de gênero. Mulher trans, preta, periférica e mãe solo de cinco filhos, Ella desafiou todos os estereótipos ao seguir sonhando — e rimando — mesmo quando o mundo dizia que não.
👩👧👦 Maternidade como missão, palco como trincheira
“Eu não posso voltar pra casa sem um Nike no pé e a chave da casa da minha mãe.”
Ella fala da maternidade com a sinceridade de quem ama e com a dor de quem precisou se dividir para continuar. Dos cinco filhos, dois ainda vivem em Minas Gerais. Os outros acompanham a rotina da artista no Rio. Celina, com apenas 6 anos, já rima. Mateus, o mais velho, é seu DJ oficial nos shows.
Sua música é atravessada por essa realidade. Em “Diss pra mim”, single lançado em 2024, Ella mistura o rap à maternidade. A capa traz seus filhos e a introdução da música é da pequena Celina dizendo:
“Mãe, não desiste não! Aquelas mulheres precisam de você.”
É mais do que canção. É uma missão.
💥 Do anonimato à Bienal: a artista que lota, emociona e inspira
Com mais de 150 rodas culturais no currículo, Ella já se apresentou nas ruas, em palcos improvisados, em becos e até andou da Tijuca até Manguinhos para cantar.
Mas também brilhou diante de 50 mil pessoas na Bienal do Rio, e lotou duas vezes a Febarj — uma delas grávida, prestes a dar à luz.
Mesmo com pouco recurso, entrega uma arte de excelência. Sua performance emociona, sua presença impacta. Ela virou o jogo. Mas não parou.
🛠️ Hip Hop como ferramenta de transformação
Ella não só canta sobre a rua — ela transforma a rua.
Criou a Roda Cultural de Costa Barros, voltada para crianças, com oficinas, atividades educativas e doações. Também implantou o projeto “Formando sua Camisa 10” em escolas públicas, misturando Hip Hop com educação, reciclagem e reforço escolar.
Mesmo após a perda do apartamento e a morte trágica de dois alunos em meio à violência local, Ella promete voltar com ainda mais força. “Quem tem o poder da fala precisa ir aonde ninguém quer ir”, afirma com convicção.
🌱 O sonho é coletivo
“Quero ser rica. Mas não só por mim. É porque tenho muitas pessoas pra ajudar.”
Ella Lopes representa uma geração de mulheres que não desistem. Sua arte fala sobre ser mulher preta, ser mãe, ser artista e não ser encaixada.
Sua luta é para que outras mulheres consigam romper o ciclo da exclusão, da maternidade solitária, da desistência precoce.
Ela canta para salvar.
E como ela mesma diz:
“O hip hop não pode ser só sangue. Já morremos todo dia. Agora é hora de viver.”
Escute Ella Lopes Ouça Diss pra mim nas plataformas digitais:

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